As diferenças entre assistencialismo, filantropia e caridade

Data de publicação:19 Agosto 2019

Muita gente, ao se referir às ações de promoção social de pessoas necessitadas materialmente, confunde os significados das palavras assistencialismo, filantropia e caridade, utilizando-as como sinônimos. Contudo, essas três expressões possuem diferenças relevantes e é importante que a comunidade vicentina tenha esses conceitos bem claros a fim de evitar equívocos de interpretação.

Assistencialismo (palavra latina que significa “estar junto”, “pôr-se junto”) vem da palavra assistência, que significa ato ou efeito de assistir. Então, assistencialismo consiste no conjunto de ações implementadas por alguém em prol de outro, no sentido de dar proteção, amparo, auxílio, ajuda, socorro. O termo “assistencialismo” possui o sentido um tanto negativo entre nós por que o que caracteriza especificamente o assistencialismo é o fato de não se preocupar com a erradicação das causas dos males sociais. Como doutrina, o assistencialismo defende que nada há de fazer em termos de reformas estruturais, reduzindo toda ação social à aplicação de paliativos.

filantropia, palavra de origem grega que significa “amizade pelo homem”, tem mais a ver com humanitarismo, ou seja, amor à humanidade. O termo surgiu no século XVIII e era comparado a um tipo de caridade que se julgava mais esclarecedora, mais científica, em seu modo de agir, e não inspirada em motivos teológicos, mas exclusivamente humanos e sociais. Hoje, filantropia possui um significado quase que neutro para significar o “culto de atitudes humanas para com os necessitados” e, num sentido mais amplo, um vago interesse pelos problemas humanos. É uma palavra que está associada às pessoas, independentemente da religião ou condição social. Por exemplo, os clubes de serviço (Rotary, Lions e Leões do Brasil) desenvolvem ações filantrópicas, isto é, atividades sociais, sem envolver a dimensão espiritual. Em alguns dicionários, filantropia é sinônimo de caridade, mas sem englobar a presença de Deus nesses atos.

Por sua vez, caridade é a palavra cristã que significa o “amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem”. Caridade identifica-se com o amor de Deus. Caridade é Deus! Fazer caridade ou praticar caridade é ter as mesmas atitudes, as mesmas ações que Deus teria em determinadas situações de miséria e de pobreza. É sentir como Deus “faria” e fazer a mesma coisa. É doar-se, sem preocupação em receber nada em troca. É a prática viva do Evangelho. Também significa benevolência, complacência, compaixão e beneficência. É uma das virtudes teologais, ou seja, é uma das virtudes que Deus oferece a nós. Em muitos casos, caridade e amor se confundem e alguns dicionários utilizam a expressão “amor-caridade” para tentar aproximar ao real significado da palavra.

Sendo assim, podemos concluir que se o trabalho de promoção humana integral desenvolvido pelas Conferências Vicentinas fosse mero assistencialismo ou filantropia, não teríamos atingido tantas graças e vitórias no atendimento às famílias carentes e demais pessoas excluídas do convívio social que nos foram colocadas sob proteção. Nossa atuação segue firme por se tratar de uma obra de caridade, que envolve a dimensão do amor. Aqui reside o nosso diferencial.

Nossa extrema devoção aos excluídos, nosso amor por Deus na pessoa do pobre, nossa dedicação absoluta à causa do Evangelho e nossa verdadeira obsessão em reduzir as desigualdades sociais sintetizam o aspecto caritativo do trabalho da Sociedade de São Vicente de Paulo em todo o mundo.

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo

 

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