Não deixe que a chama vicentina se apague

Data de publicação:27 Março 2019

Participar de uma entidade, qualquer que seja ela, traz-nos benefícios e, ao mesmo tempo, desilusões. A Sociedade de São Vicente de Paulo não foge a essa regra, por se tratar de uma associação formada por homens e mulheres que, por natureza, são imperfeitos e pecadores. Algumas vezes temos desentendimentos com pessoas queridas por manifestarmos pontos de vista divergentes que nem sempre são bem interpretados. Isso é normal, é humano, é compreensível.

Santo Agostinho tinha uma frase que vale a pena ser repetida nos dias de hoje: “Temos que ter unidade nas coisas essenciais, liberdade nas não essenciais, mas a caridade em todas”. Ou seja, somos todos vicentinos, independente se uma decisão tomada possa nos desagradar ou contrariar. O que nos mantém ativos na SSVP é algo muito superior: a missão de servir a Cristo pela prática da caridade. Portanto, a caridade (leia-se “respeito”, “aceitação” e “perdão”) deve prevalecer em nossos diálogos e interações.

Se ingressamos na Sociedade para atender a um pedido de um familiar, fizemos errado. Se estamos na SSVP com objetivos políticos, estamos também no lugar errado. Se procuramos o movimento vicentino para gozar de prestígio e status perante a comunidade paroquial, cometemos outro engano. Fazemos parte da Sociedade porque acreditamos que é possível fazer um mundo melhor, por meio da redução das desigualdades sociais e na pregação do Evangelho a todas as criaturas. Isso sim é que nos move e deve nortear nossas ações vicentinas.

E nessa missão, temos que superar todas as adversidades e contra-sensos. Não podemos deixar que nossa chama vicentina se apague lentamente a cada revés por que passamos. São Paulo tinha uma noção muito abrangente sobre os reveses que sofremos ao longo de nossa vida, ao afirmar que o que vale é a “guerra” como um todo, e não os eventuais fracassos das “batalhas” pontuais: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (II Timóteo 4, 7).

É evidente que São Paulo referia-se aos aspectos espirituais enquanto essa crônica está relacionada ao cotidiano prático dos vicentinos. Temos que agir como São Paulo: se nossas idéias não forem acolhidas pela maioria, precisamos ter a humildade de aceitar a opinião alheia e fazê-la nossa. Aliás, o desapego ao próprio parecer é uma das condições essenciais para que o confrade ou a consócia possa desempenhar bem sua missão vicentina.

Contudo, ser humilde e desapegar-se do nosso próprio parecer não significa que temos que nos omitir ante os temas que exigem maior reflexão e análise no seio vicentino. Emita sempre, com caridade e diplomacia, seus pensamentos; diga, a cada instante, suas impressões a respeito da condução dos trabalhos da Conferência ou do Conselho; contribua, freqüentemente, com idéias que podem evitar que deliberações sejam tomadas equivocadamente no futuro. Enfim, aponte as eventuais falhas, ajude a consertar o que precisa ser ajustado e não tenha vergonha de pedir perdão, caso a discussão se inflame e produza resultados indesejados!

Por isso, amados confrades e consócias e demais membros da maravilhosa Família Vicentina, não deixem que a chama vicentina que está em seus corações seja apagada por qualquer motivo. Cristo, Maria, São Vicente e Ozanam não vão permitir que isso ocorra, recobrindo-nos de forças adicionais que façam com que consigamos “carregar a cruz” até o final, sem tropeços e atropelos. Não nos esqueçamos do velho ditado indiano que diz: “Ao aliviarmos o sofrimento de alguém, estamos aliviando os nossos sofrimentos também”.  Sejamos diferentes, mas permaneçamo-nos unidos, com caridade e humildade.

 

Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral da Sociedade de São Vicente de Paulo

 

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